sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Grupo dos Oito"


Porto Alegre decide erguer um Panteon para abrigar os
 despojos dos gloriosos heróis farroupilhas. Os restos de Bento Gonçalves já
estavam honrosamente guardados na base do monumento erguido na cidade
de Rio Grande, mas David Canabarro estava quase esquecido em Santana
do Livramento. Em Porto Alegre, um moço do colégio Julio de Castilhos,
filho de Livramento, procurou a Liga de Defesa Nacional e se ofereceu
para organizar um piquete gauchesco para dar escolta a cavalo ao féretro de
David Canabarro, que vinha para inaugurar o anunciado Panteon.
Recebida a autorização, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes (alto,
esguio, dinâmico, a perfeita imagem do gaúcho campeiro) saiu por Porto
Alegre a catar companheiros para a aventura, arreios e cavalos. Assim, no
dia 5 de setembro de 1947, ele montou garbosamente com mais sete
companheiros, arrancando aplausos da multidão ao longo da avenida
Farrapos, até a Praça da Alfândega, onde o desfile fez uma parada
estratégica. Eles ficariam na história como os Oito Magníficos, os
verdadeiros iniciadores do Movimento Tradicionalista.
Na Praça da Alfândega chega a Paixão Côrtes um moço de Piratini
chamado Luis Carlos Barbosa Lessa, que tem nas mãos um caderno com
adesões apoiando a fundação de uma associação tradicionalista. Ao saber
que os Oito Magníficos se diziam estudantes do Colégio Estadual Julio de
Castilhos, ele, também se declara aluno do Julinho. Logo aparece um moço
poucos anos mais velho, de óculos. Ao cumprimentar Paixão Côrtes pela
iniciativa, ele disse seu nome: Glaucus Saraiva. Sorrindo, Paixão Côrtes
retruca: "mas tu és o poeta autor do Chimarrão, que eu declamo!". Assim
se reuniu, meio por acaso, a Santíssima Trindade do tradicionalismo
gaúcho: Paixão, o dínamo propulsor, Lessa, o estudioso, o grande teórico,
Glaucus, o organizador e disciplinador.
Pouco dias depois, sempre por iniciativa do Paixão, realizou-se no
Colégio "Júlio de Castilhos" a 1ª Ronda Crioula do Tradicionalismo e, a
mais longa de todas: durou 12 dias, desde que um piquete de cinco
cavalarianos recolheu no Altar da Pátria, na hora da extinção, à zero hora
de 08 de setembro de 1947, uma "mudinha" da chama simbólica. Em rápida
galopeada, queimando as mãos, os cinco levaram essa chama para inflamar
o Candeeiro Crioulo armado no "Julinho", onde ardeu até 20 de Setembro,
o Dia do Gaúcho, data magna do Rio Grande do Sul.

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