Durante essa primeira Ronda Crioula houve festa com música,
poesia, fandango, concursos e discursos. Verificado assim o enorme êxito,
no que ajudou o convite que os rapazes fizeram a homens maduros, como
Manoelito de Ornellas, Amândio Bicca e Valdomiro Souza, os moços
resolveram fundar uma entidade permanente para a defesa das tradições
gauchescas.
Agora sim, o gaúcho e seus usos e costumes estão ameaçados. A
forte propaganda americana mete goela abaixo da juventude de nossa terra,
com a “Seleções”, as revistas em quadrinhos e o cinema, o "cow-boy" e
toda uma gama de heróis norte-americanos. E por trás disso tudo se vão às
ricas divisas acumuladas pelo Brasil durante o conflito e vem o plástico, o
uísque, a Coca-Cola e o chiclé, além das armas velhas e veículos de guerra
usados que estão sobrando nos Estados Unidos.
Agora existem muitos jornais em Porto Alegre e no interior do
Estado e, só na Capital, três fortes emissoras de rádio Agora, sim, o Rio
Grande do Sul parece ter saudade do gaúcho...
A nova entidade que os rapazes sonham fundar seria um clube
exclusivamente masculino, só com 35 sócios (para evocar o ano em que
começou o Decênio Heróico) e a sede seria um rancho no Parque da
Redenção. Mas aí as férias escolares interrompem os planos.
Reencontram-se todos com o começo das aulas, em 1948 e, a 24 de
abril, no amplo e sólido porão do solar da família Simch, na Rua Duque de
Caxias (hoje existe um moderno edifício no lugar) funda-se, depois de
muita discussão, o "35" - Centro de Tradições Gaúchas, nome proposto por
Barbosa Lessa. Flávio Ramos propõe o lema: "Em qualquer chão —
sempre gaúcho!". Guido Mondin desenha o símbolo: o número 35
atravessado por uma lança de cavalaria. Glaucus Saraiva imagina toda uma
nomenclatura campeira para os cargos de diretoria e repartições do novo
centro e é eleito como seu primeiro Patrão.
E logo o chamamento do "35" encontrou resposta. A 08 de agosto
desse mesmo ano (menos de 4 meses depois da fundação do "35" CTG) os
rapazes de Porto Alegre têm que ir a Taquara, onde se funda o CTG "O
Fogão Gaúcho", copiando em tudo o modelo proposto pelo Pioneiro, "
original, único no mundo, onde cada célula (CTG ou entidade
tradicionalista afim) guia-se obrigatoriamente pelos mesmos princípios e

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