Quando o primeiro gaúcho deixou a campanha e se mudou para a
cidade bateu-lhe inelutavelmente aquilo que Manoelito de Ornellas chamou
“a nostalgia dos transplantados”, a saudade dos pagos, que ele, o gaúcho,
tratou de amenizar com o uso diário do chimarrão, com a culinária
gauchesca e até mesmo com a utilização discreta ou ostensiva das pilchas
campeiras. Era o começo da tradição gaúcha, cujo culto, mesmo hoje em
dia, com todas as maravilhas e a alta tecnologia do mundo moderno, está
cada vez mais forte.
Entre nós,
antepassados nos legaram. No mundo jurídico a tradição é a entrega de um
bem pelo qual se pagou o justo preço e pelo qual o homem recebe o bem
que adquiriu pela compra. No mundo cultural, a Tradição é a entrega de
valores culturais de uma geração para outra. Claro que a tradição, assim
entendida, não é uma exclusividade do Rio Grande do Sul: existe
praticamente em todos os povos, mais exacerbada nos grupos sociais onde
coexistem duas sociedades paralelas, uma rural e uma urbana, não
conflitantes e até freqüentemente aliadas, como no nosso caso.
Tradição é um culto, o culto dos valores que os

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